Viagens à Ficção Hispano-americana 

Viagens à Ficção Hispano-americana
ANTÓNIO MEGA FERREIRA

 

Em finais dos anos sessenta do século passado, a cena literária ocidental foi invadida por um movimento generalizado de interesse pela literatura americana escrita em espanhol. Foi aquilo a que depois se convencionou chamar o boom latino-americano e, em termos de perceção pública internacional, alicerçou-se no sucesso imediato que acolheu a publicação, em 1967, de uma obra fantástica, torrencial, inclassificável: Cem Anos de Solidão, do colombiano Gabriel Garcia Márquez.

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Biotope
João Tabarra, com textos de Nicole Brenez, Pascale Cassagnau, Elisabeth de Fontenay e Stéphane Bou

 

«Em Biotope, como noutras exposições, João Tabarra continua a confrontar-se com o deserto, com a melancolia, com a desqualificação das imagens, propondo o múltiplo e o excesso da potência ficcional (veja-se a sombra que ilumina o fundo aquático de Miroirs grotte) para exceder a morte e desafiar o poder de todas das dominações. Neste caso, a dominação de todos os seres viventes pela tragédia do homem.»

José Marmeleira, in Público

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Um Espião na
Casa do Amor
E da Morte
ANTÓNIO CABRITA

 

Amor, sequestro e violência na rota da “seda”, ou a Quarta Guerra Mundial. Um livro que aborda a “violência de género” com o fragor de um tsunami que não deixa sequer intactos os esqueletos no armário e que relata, interroga, analisa os métodos de como, a conta-gotas, no mundo de hoje se vilipendiam, agridem e matam as mulheres, numa deriva do sangue por uma geografia infindável. De África aos “brandos costumes” portugueses e às cobardes proezas dos violadores do Estado Islâmico, neste pungente punhado de estórias com mulheres violentadas dentro, ANTÓNIO CABRITA produz uma reportagem-manifesto que não se quer indiferente, na qual associa à sua técnica de jornalista a reflexão do ensaísta e a sua arte de narrador. Um livro forte, que não se esquece.

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Resta Ainda
a Face
Helder Macedo

 

Escolha e posfácio de

Paulo José Miranda


RESTA AINDA A FACE é uma antologia de 32 poemas de amor, escolhidos e posfaciados por Paulo José Miranda. Uma leitura ensaística que homenageia HELDER MACEDO nos seus 80 anos: «A vida é breve para tanta consciência de um só corpo, devolvendo novamente a primazia do amor sobre a vida. E a consciência aparece claramente aqui em forma de «soletrar o mundo». Mas o amor só está acima da vida porque há vida, porque há corpos. Muitos poetas cantaram o amor. Cantam ainda o amor. O amor pela amada ou o amor perdido ou ainda o amor nunca encontrado. Mas HELDER MACEDO canta o amor que nasce na vida e pela vida.»

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Lisbon Blues
José Luiz Tavares

 

Embora inédito, LISBON BLUES é um livro escrito há muito, por alturas da chegada do autor à cidade que encontrou “pintada” desta maneira tão peculiar. Como bem notou António Cabrita, «o verdadeiro resgate deste livro é a sua consciência crioula, mestiça, o entrelaçado dos seus veios no ladrilhado dos seus versos. Ao jeito de uma bebinca. Expliquemo-nos. Temos a camada da Lisboa empírica, a da locomoção e vivência do poeta: as noites, engates, itinerários, passeios, eléctricos, turistagens, desejos, expectativas e rasgões deceptivos no plano existencial, o recorte da vida; depois temos, noutra camada, isso confrontado com a memória da Lisboa dos poetas que o poeta lê – Cesário, Vitorino Nemésio, Armando Silva Carvalho, o inevitável Pessoa, etc.  –,  a tradução literária –;

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Derradeiro
Suspiro Real
JOSÉ NAVARRO DE ANDRADE

E se às primeiras horas da tarde de 4 de outubro de 1910 o major Paiva Couceiro, num arroubo temerário, tivesse carregado sobre a Rotunda, desbaratado os revoltosos republicanos? É neste postulado que a presente novela se firma para descrever a continuidade e as transformações da Monarquia nos anos seguintes. Provavelmente as surpresas seriam muitas e porventura a maior delas todas tivesse sido a inexistência de grandes variações.

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Príncipe Perfeito
Rei Pelicano, Coruja e Falcão
CARLOS QUERIDO

D. João II morreu há quatro anos. Na Sé de Silves exuma-se o cadáver com vista à trasladação para o Mosteiro de Santa Maria da Vitória. Um sobressalto percorre os altos dignitários do reino: o corpo do monarca mantém-se incorrupto. Milagre!, grita-se nas ruas. Peçonha, sugere um conceituado físico, que procura no envenenamento uma explicação para o não apodrecimento do corpo sem vida, descrente da santidade de um monarca implacável com os inimigos, que não hesitou em apunhalar o irmão da rainha.

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O Quarto Trancado Onde Nem a Morte Entrava 

 

O Quarto Trancado Onde Nem a Morte Entrava
Ricardo Ben-Oliel

 

Este vem de fora da Europa, da calma e segura Europa das últimas décadas. E tal como algumas profissões nos ficam coladas à pele – «Era ele o magistrado-mor. Ou melhor, fora-o durante o tempo de uma vida; e quando tal acontece, é sabido que a função fica colada à pele como a crosta de uma insarável ferida.» – também um país ou uma zona geográfica nos fica colada à língua, quando aí vivemos mais de quarenta anos, como é o caso de RICARDO BEN-OLIEL em Israel. Se Israel é um singular país numa singular região do planeta Terra, também este livro de contos se apresenta único no panorama da nossa literatura: uma linguagem estranha, precisa e bela como nunca se viu em português.

 

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As Eleições que Ninguém Queria Ganhar
FERREIRA FERNANDES

 

Durante o mês de agosto – todos os dias, respeitando o descanso de domingo, porque inventar também cansa – o jornal Diário de Noticias publicou um folhetim de verão contando o setembro que vinha a seguir: AS ELEIÇÕES QUE NINGUÉM QUERIA GANHAR. Como o seu nome indicava não era sobre os mistérios da estrada de Sintra. A trama era inventada, como costume nos folhetins, mas era sobre política. Tratou-se, pois, de uma ficção política. O autor começou por ser Anónimo, mas acabou revelado como FERREIRA FERNANDES.

 

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Caravaggio  

 

O Último Rosto de Caravaggio
Rui Vieira

 

O leilão pela Christie’s de um desconhecido Caravaggio e a exposição, na National Gallery, de doze dos principais quadros do célebre pintor em que a figura da mulher se sobrepõe à pintura, são o mote para o livro de RUI VIEIRA, que celebra o 10.º aniversário da sua vida literária. Quando a responsável pela autenticação da tela leiloada conhece alguém que se diz ser Caravaggio e a faz viajar pelo interior dos quadros que julga conhecer ao raio-x, tudo em que acredita pode ser posto em causa. Até a coincidência do seu nome com umas das principais modelos de Caravaggio – a prostituta Fillide de Melandroni – pode ser a partida para uma nova interpretação do enigma da arte (e do amor). Com a rigorosa sobreposição de diálogos, tempos e imagens a que escrita de RUI VIEIRA nos habituou, O ÚLTIMO ROSTO DE CARAVAGGIO interroga como personagens a luz e o corpo, a decadência e a morte, a criação e o sexo, a religião e o génio.

 

 

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Pelos Leitores de Poesia 

 

Pelos Leitores de Poesia
Filipa Leal
 

Revisitando a boa tradição dos manifestos, FILIPA LEAL intervém em defesa da sua dama-poesia desferindo com o sabre da ironia golpes certeiros no estado das coisas (também poéticas). Um texto lapidar que tem sido lido por todo o país em encontros, festivais e outros salões literários.

 

«Os poetas odeiam trabalhar em escritórios. Vestem-se mal e acreditam em tudo o que lhes dizem. Puxa-lhes o pé para a metáfora. Se os poetas fossem controladores aéreos, haveria tráfego de andorinhas. O ideal para um poeta é estar desempregado. Em nome da segurança pública.»

 

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O Sobressalto Grego
PEDRO CALDEIRA RODRIGUES

 

Abordagem à turbulenta história da Grécia do século XX, com atenções centradas nos anos mais recentes, em particular a partir de dezembro de 2008, quando após a morte de um adolescente pela polícia – que provoca tumultos sem precedentes por todo o país –, à crise económica se associa uma grave crise política. Depois, foi o tempo dos memorandos de entendimento, dos governos “tecnocratas” e de “união nacional”, das políticas de austeridade, dos protestos sociais, que culminam com a vitória do SYRIZA nas legislativas antecipadas de 25 de janeiro e no referendo de 5 de julho de 2015, com as respetivas consequências imediatas expressas no “acordo de Bruxelas” de 13 de julho. Um contributo que inclui variados testemunhos, recolhidos por PEDRO CALDEIRA RODRIGUES, jornalista da Editoria Lusofonia / Mundo da Agência LUSA, no decurso das reportagens efetuadas na Grécia nos “anos de crise” (novembro de 2011, fevereiro de 2012, janeiro de 2015 e junho e julho de 2015), acompanhados por mapas e quadros sobre a evolução dos resultados eleitorais desde o regresso da democracia em 1974, além de uma cronologia.

 

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trama 

 

Trama
João Fazenda

 

Traço ponto traço
João Paulo Cotrim

 

Talvez no início tenha sido o esboço, uma primeira tentativa para revelar a luz oculta sobre um imenso borrão. Pouco importa, o que aqui interessa é que estas páginas permitem entrar na oficina e ver o artista a trabalhar. Ou seja, permite-nos entrar na intimidade, guiados pela espontaneidade, com o seu alinhamento de hesitações, de mimetismos, de ideias, de experiências, de obsessões. Este livro contém uma única palavra, ainda por cima desenhada: Trama, isto é, a linha narrativa que une os fragmentos de uma história. Mas haverá por aqui alguma história a não ser a do olhar de João Fazenda, um dos mais produtivos e desafiantes produtores de imagem da actualidade? Mas Trama também podem ser os fios que, entrelaçados, constituem um tecido. E que outras malhas por aqui se tecem a não a ser as do gesto de desenhador de João fazenda, que combina de modo único traço e mancha, forma e espaço? Trama é ainda a velha rede de pontos que permitiam iludir-nos com a impressão das cores. Ora João Fazenda trama-nos aqui porque nos faz ver as cores do mundo num livro a preto e branco. Fascinante.

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Um Dia Nao Sao Dias 

 

Um Dia Não São Dias
António de Castro Caeiro

 

Paulo José Miranda, na apresentação:


«Há em UM DIA NÃO SÃO DIAS uma contínua busca pela identidade dos dias, pelas suas características específicas, pelo modo como eles se abrem à nossa consciência em cada uma das suas partes. Partes essas que também se nos apresentam distintas, com seus rostos bem definidos, como se pode ler:

 

O modo como “subimos” de quinta-feira de manhã até quinta-feira à noite é completamente diferente de como “subimos” por terça-feira acima. Em alguns países do Ocidente, é dia de saída nocturna. “Quinta-feira com sede”. A quinta-feira é um “laboratório” vivo do fim-de-semana.

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Ganisse 

 

Gnaisse
Luís Carmelo

Um professor está apaixonado por uma aluna que gosta de Nietzsche, de bonsais e de garrafas de gás. A aluna desaparece subitamente. O professor frequenta então um templo religioso, faz promessas, é invadido por sonhos que o avisam dos perigos que corre e, um dia, muda de casa e volta a fumar. Na nova casa, há uma vizinha que grita a certas horas da noite. O professor tem saudades da aluna.

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Manual 

Manual de Instruções para Desaparecer
(trinta e quatro poemas ao tempo dos lírios)

 

«Esta primeira edição de MANUAL DE INSTRUÇÕES PARA DESAPARECER, de JOSÉ ANJOS, ganha tudo porque é sabido que estar farto da vida, neste não querer saber de tectos e proezas, ainda nos segura mais a ela, apesar de o punhal ir bem fundo, até à raiz dessa coisa tenebrosa: a poesia.»

 

Maria Quintans

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Albertine, o Continente Celeste 

 

 

Albertine, o
Continente
Celeste
Gonçalo Waddington

 

 

A COLECÇÃO PALCO nasce, em colaboração com o TEATRO MUNICIPAL S. LUIZ, em Lisboa, para manter em cena, muito para além do fim da temporada, as peças que por ali passem. Suba o pano para uma das mais recentes e desafiantes, que será lançada, no âmbito das comemorações do Dia Mundial do Teatro, já no próximo dia 26, pelas 20h30, no Jardim de Inverno do S. Luiz, com apresentação de Miguel Loureiro e leituras de Carla Maciel.

 

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Eter 

 

Éter
Sete narrativas,
seguidas de contragolpe
António Cabrita

 

Em ÉTER, António Cabrita reúne sete narrativas urbanas, que se localizam nos dois países em que tem alternado a sua vida: Portugal e Moçambique. São sete histórias com distintas estratégias narrativas, tal como são variados os seus temas, sendo contudo transversal uma idêntica tensão entre a memória pessoal e o esquecimento colectivo, bem como a escrita peculiar do autor de A Maldição de Ondina.

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A Doença da Felicidade 

A Doença da Felicidade
Biografia de uma descoberta
Paulo José Miranda

E se a felicidade fosse uma doença? Partindo desta ideia simples, Paulo José Miranda, no estilo torrencial a que nos habituou, e sempre tendo a ironia em pano de fundo, faz-nos reviver o estranho universos das relações, as amorosas e as familiares, mas também as científicas e filosóficas. Como se tudo não passasse de uma teia de aranha, que tanto mais aperta quanto nos tentamos soltar. Um ensaio mascarado de novela? Uma dissertação científica que finge ser testemunho memorialista? Tudo será possível, mas como acontece nos seus romances-deriva, o tema, no caso o sempiterno da felicidade, não voltará a ter o sabor gourmet, aquele valor sexy que lhe é atribuído a torto e a direito.

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Regressar a casa 

 

 

Regressar a Casa com Manuel António Pina
Inês Fonseca Santos

Regressar a Casa com Manuel António Pina é um objecto composto por paredes, portas e escadas, que se podem abrir e fechar, subir e descer, consoante o plano em que se quiser posicionar quem por aqui passar. São ainda as paredes, as portas e as escadas da casa que Manuel António Pina abriu para uma conversa com Inês Fonseca Santos e Pedro Macedo e as da obra que construiu para o leitor habitar. Reúne, por isso, uma entrevista ao escritor, um ensaio sobre a sua obra poética e uma curta-metragem documental sobre o tema da casa.


«Nos meus poemas, há sempre alguém que está a subir as escadas. Mas são as escadas que dão acesso à casa. Digamos que pode ser esta. Casa, apartamento, qualquer coisa.»

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